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“Regra do silêncio” causa transtorno e não é aprovada entre coaches e players

O Coach é um profissional de extrema importância em times que enxergam o técnico como líder. Além de auxiliar no treinamento e na convivência entre os jogadores, ele se tornou fundamental em algumas equipes. Em especial no cenário internacional de Counter Strike: Global Offensive, mais especificamente nos times, Natus Vincere, NiP, LiquidMousesports e Faze.

No entanto, com a nova regra definida pela Valve, que limita a comunicação entre coach e cyber-atletas durante os jogos, os times que são dependentes de seus técnicos terão que procurar outra estratégia nos torneios.

No Brasil a profissão é pouco conhecida, com exceção no cenário de League of Legends na qual times participantes do Campeonato Brasileiro (CBLoL) são obrigados a ter um coach, regra estabelecida na temporada 2016. Em relação ao novo regulamento da Valve, a medida causou polêmica e não agradou treinadores e jogadores de CS:GO.

“Eu sinceramente acho que a Valve vacilou. Se fosse algo que a comunidade não tivesse tido tempo de se acostumar beleza, mas já faz quase um ano e meio que coaches atuam no cenário. Muitos times inclusive formaram suas equipes em volta dos coaches/IGL como NaVi com starix, NiP com threat, Liquid com o peacemaker, etc”, disse Wilton “zews” Prado.

Com a inserção da nova regra, o coach só será capaz de se comunicar com os jogadores durante o aquecimento, intervalos e durante as pausas táticas de 30 segundos que o treinador ou jogador poderá chamar. Inconformado, o ex-coach da Sk Gaming e atual jogador do Immortals também declarou que levando em consideração todo o trabalho realizado dentro da equipe, a nova medida é um retrocesso gigantesco.

“Na SK quando eu atuava como coach conseguimos alcançar o topo do ranking e dos campeonatos mundiais. Não que seja puramente mérito dos coaches, mas isso influencia e ajuda com certeza. Sem contar que com essa mudança esses coaches terão seus trabalhos ameaçados. Claro que poderão continuar ajudando as equipes no dia-a-dia, mas ser um líder é um dom e uma skill que você precisa desenvolver. Não será do dia para noite a adaptação”, alegou ao falar da importância do Coach.

O jogador levantou outra questão, a possível desvalorização da profissão e a diminuição de coaches no cenário internacional. Para o Analista de Counter Strike e Comentarista da ELEAGUE, Otávio “BCZZ” Boccuzzi, ainda é cedo para opinar, mas já considera a possibilidade de coaches virarem especialistas em análises.

“Para mim a partir daqui a alguns meses teremos dois cenários possíveis: Ou equipes como G2 e Virtus.pro (que praticamente não utilizam treinadores) irão dispensá-los (já que seu preço não será recompensado com a pouca ajuda que eles darão) ou todos estes técnicos se tornarão especialistas em análises e tendências para que, quando fossem chamados, conseguissem apresentar uma boa estratégia”, constatou.

Perfil de Coaches

Foto divulgação: HLTV.org
Foto divulgação: HLTV

A princípio, a função de um coach, seja de Counter Strike: Global Offensive ou outra modalidade de jogo é aumentar a skill e potencial do time. No entanto, dentro do cenário essa missão é bem relativa, alguns times usam seus técnicos como segunda opinião ou analista de situações. Fora do jogo o trabalho do coach também sofre alterações, ele pode se tornar um manager de compromissos ou ser o in game leader (capitão) durante o jogo.

Ao determinar o limite de comunicação, a Valve explica que treinadores estão atuando com a função de “sexto jogador”, e não apenas como uma fonte de orientação ou treinamento. Diante deste fato, a empresa defende que a norma é para ajudar os jogadores, já que o objetivo dos eventos é intensificar a habilidade dos cinco players das equipes de CS, com isso a participação atual de treinadores no jogo não é compatível com o objetivo.

“Em minha opinião os técnicos de hoje em dia não exercem as funções exclusivas de um treinador. É fácil de entender essa minha frase acima quando comparamos um técnico estilo Zews com outro estilo kuben. O Zews que era um técnico que procurava a evolução tática da equipe durante os treinos, procurando novas granadas e aprendendo outros itens com replays de partidas. Além disso, o Zews marcava os confrontos deixando os jogadores com somente responsabilidade de jogar”, disse Bczz ao explicar a diferença entre técnicos.

Ainda que a regra tenha causado polêmica, o Analista enxerga que o novo regulamento seja capaz de reformular e trazer outras funções ao treinador.

“Para mim a visão de treinador com certeza será alterada e essa visão de treinador capitão ou treinador aconselhador irá acabar. O novo conceito do treinador será aquele que irá analisar tendências da partida durante o seu andamento e que, quando for “convocado” a dar sua opinião em uma pausa ela deverá ser seguida como a resposta “certa” na ponta da língua”, argumentou.

Qual a melhor saída?

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Foto divulgação: HLTV.org

De acordo com Epitácio “Taco” de Melo (player do SK Gaming), os maiores exemplos de times que serão afetados são: Na`Vi com o Starix e Liquid com o peacemaker.

“Para nós do SK, não influencia em nada, não temos um coach e nem pretendemos ter. Nosso in-game-leader é o FalleN e não pretendemos mudar isso, mas é chato ver que a Valve não levou em consideração a opinião dos players para criar essa regra”, confessou.

O jogador do melhor time do mundo acredita que a solução, seria criar uma sequência de táticas de acordo com o decorrer do jogo. Algo que teoricamente requer mais trabalho, porém ele não enxerga outra opção. “A mais drástica seria escolher algum dos players para fazer a função do in-game-leader”.

O Analista “Bczz” compartilha do mesmo pensamento e considera que a nova norma irá limitar o potencial dos times que necessitam de seu técnico para evoluir.

Por fim, o jogador “Zews” não vê motivos para a nova regra. “Se coaches estão ajudando, por que tirar? Para facilitar o jogo? Em qualquer esporte profissional todos querem ver o mais alto nível possível. Com as melhores táticas, leituras de jogo, etc. Se o nível mais alto é com coaches, não vejo motivo algum para tirá-los da jogada”.

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Sobre Verônica Magalhães

Verônica Magalhães
Jornalista formada na UMESP- Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou durante quatro anos com Rádio Jornalismo. Apaixonada e amante da comunicação contribuiu na produção de notícias para o portal do time Santos Dexterity.

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