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Brasileiro com melhor classificação na Capcom Cup: Keoma comenta deslizes de 2016 e planeja treinar fora do país

Keoma durante a Capcom Cup 2015. (Foto: Divulgação/Redbull)

Há sete anos, Keoma Pacheco deixou o Street Fighter IV ocupar um espaço importante em sua vida. No entanto, apesar de dedicar seu tempo ao jogo de luta, o gaúcho de Gravataí (RS) demorou para ingressar na cena competitiva. O motivo: na época o cenário competitivo de jogos de luta não era muito grande. As portas começaram a se abrir recentemente.

Jogador profissional desde 2015, Keoma acumula títulos locais e vários participações em torneios, com direito ao prêmio do “Ultra Street Fighter IV”, na Brasil Game Show (BGS) 2015. O pro-player também representou o país na Capcom Cup 2015, na qual ocupou o 7º lugar no torneio mundial oficial do game de luta. Sem dúvida, neste campeonato ele escreveu o seu nome e o do Brasil na história do cenário competitivo de Street Fighter IV.

Aos 26 anos de idade, o gaúcho deu outro grande passo na carreira e resolveu fazer parte da organização Team Innova, contratação efetuada no início deste ano. Atualmente, o jogador se prepara para seu próximo desafio, o Street Grand Battle em Lyon, na França, que acontece em fevereiro.

“Realmente, é um torneio no qual eu peguei terceiro lugar na edição passada, eu gostaria de saber o quão longe posso chegar agora nessa nova geração de SFV”, expressou.

O interesse por jogos de luta sempre foi constante na vida de Keoma. No entanto, Street Fighter IV foi um dos games que despertou sua curiosidade e vontade de ingressar no universo de Fighting Games. Ele relata que desde pequeno sempre teve um contato bastante intimo com essa modalidade, um exemplo, é Mortal kombat 2, na qual jogou de forma não profissional até 2007.

“Meus resultados não foram tão bons e fortes no primeiro semestre”, diz Keoma 

Keoma durante a Capcom Cup 2015. (Foto: Divulgação/Redbull)
Keoma durante a Capcom Cup 2015. (Foto: Divulgação/Redbull)

O que poucos sabem sobre o jogador de Street Fighter V é que recentemente ele passou por uma fase difícil na carreira. No primeiro semestre deste ano, ele considera que seus resultados não foram tão bons, e que a razão pode estar relacionada a falta de confiança em seu potencial.

“Eu não tinha noção o quão forte eu me tornei, principalmente o tempo que eu fiquei em São Paulo”.

Em outubro deste ano, o jogador ficou em São Paulo treinando para as finais regionais latino-americana da Capcom Pro Tour 2016 (CPT Latam), que dava uma vaga direta para a Capcom Cup.

“Inclusive, em outubro, eu tive um salto muito grande de habilidade, e isso passou despercebido, eu não tinha confiança o bastante no meu jogo para a Capcom Cup, justamente por ter noção do quão habilidosos os meus oponentes eram, mas depois refletindo, eu tive que vencer duas pessoas que estavam classificadas para a final regional, “demibyk” jogador do chile, e Diego “Dark” Lins, que me venceu na final do Treta 2016. Então, isso quer dizer que eu estou no nível deles, supostamente, isso começou a ampliar minha confiança”, disse ao refletir sobre seu desempenho.

“Quando a cobrança é pelo motivo errado”

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Na visão de Keoma, e de jogadores internacionais de Street Fighter V, o mal rendimento de um jogador pode estar relacionado a forma que ele encara seu objetivo e resultado em cada jogo.

“Meus resultados não foram tão bons e fortes no primeiro semestre, eu acabei jogando pelo motivo errado, procurei ver o resultado antes de refletir um pouco, justamente sobre coisas que eu tinha de sobra na temporada passada, inclusive na Capcom cup na qual sempre tive confiança de jogar o meu jogo 100%”, confessou.

Ele notou o baixo rendimento em jogo, quando reparou que a temporada veio recheada de derrotas em campeonatos. Em eventos locais, o jogador acabou perdendo grande parte deles, o levando a uma taxa de vitórias razoavelmente baixa, algo que ele compara com seu retrospecto nos últimos anos.

“Em 2010 foi a última vez que eu perdi um campeonato local, então eu fiquei seis anos sem perder um torneio local, e a pior colocação que eu tive até o ano passado foi top 3, então, se a gente parar para pesar meramente em números e apenas em resultado, bem a pior coisa que me aconteceu em um torneio nacional foi terceiro lugar, e isso acaba gerando uma cobrança”, explicou.

Para Keoma, essa cobrança tirou um pouco da sua perspectiva do que é estar fora do pódio de um campeonato.

“Eu não vou ganhar tudo, por que basicamente não deveria ser assim, a gente está em processo de aprendizado onde tudo agora é simplesmente experiência, e independentemente dos resultados, estamos procurando algo a longo prazo. No fim da temporada eu acabei convertendo em um bom resultado, terceiro lugar no latino americano, foi ai que eu parei para perceber que eu só deveria ter a responsabilidade de jogar 100% do que eu sou capaz”.

Keoma releva que o livro “The Will to Keep Winning”, que conta a trajetória do jogador, Daigo “The Beast” Umehara, lhe ajudou a superar a fase ruim nos últimos campeonatos. Basicamente, o livro relata a história de Daigo até 2016, a mentalidade do competidor, recaídas e o período que ele parou de jogar.

“Me ajudou a entender que boa parte do que aconteceu comigo esse ano como competidor, é completamente normal, e não deveria afetar minha confiança na hora de jogar”, declarou ao falar do livro.

Nível de jogador nacional e internacional  

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De acordo com Keoma, a metodologia e estilo de jogo é o que difere o nível de jogadores brasileiros e internacionais. Ao citar a estrutura de jogo do japonês “Daigo”, e jogadores da mesma nacionalidade, ele denomina como introspectivo. Keoma acredita que o japonês procura muito o erro dento de si, e não existe um momento que o jogador não pare de pensar o porquê aquilo aconteceu.

“Muitas vezes o pessoal não procura isso, os jogadores internacionais se cobram mais, eles tem essa cobrança de maneira positiva. No livro, o Daigo  explica bastante sobre esse processo da vontade de se tornar mais forte, não simplesmente querer vencer, ele não tem como objetivo final se tornar um campeão mundial, e basicamente explica o processo de querer se tornar um campeão. Ele quer sempre ter potencial para ser campeão mundial, isso é uma mentalidade bastante exclusiva dele, digamos que o pessoal não costuma ter esse pensamento a tão longo prazo, ele quer se manter pronto para ganhar o mundo. O pessoal simplesmente quer chegar e ganhar o mundo uma vez, e quando ganham querem pensar em o que que vem depois com calma, ele já projeta muito além do que os outros jogadores”.

Cenário

A série Street Fighter completou em agosto, 29 anos de vida, mas embora a franquia tenha toda essa idade, o cenário competitivo ainda é jovem em relação a outras modalidades de jogos. No entanto, as portas começaram a se abrir recentemente, por volta de 2013 e depois do título da Capcom Cup e Capcom Tour 2015, fato que acabou alertando algumas organizações e ofereceu mais visibilidade para o cenário de Street Fighter.

“Estamos ganhando reconhecimento constante, em especial agora com o Thomas, ele classificou para a Capcom Cup deste ano, é a quarta representação nacional consecutiva, então a gente já pode ser visto como uma potência do Street Fighter internacional, o pessoal tá começando a perceber isso. Sabe aquele contato que a gente não tinha antes, agora a gente tem, por exemplo, eu entrando para a Team Innova e tendo mais contato com o esports como um todo, com isso a gente tem como mostrar o que tem o cenário competitivo de SFV”.

Vale lembrar que o jogador Thomas “Brolynho” Proença, é a nova contratação do cenário internacional de jogos de luta. O cyber-atleta foi contratado recentemente para fazer parte da organização FlipSid3 Tactics, se tornando o primeiro jogador de Fighting Games a ser patrocinado por um time internacional. Com certeza, o acontecimento dará mais visibilidade para o cenário brasileiro de jogos de luta.

O treino de jogadores de Street Fighter 

O jogador de Street Fighter tem um treinamento totalmente diferente do modelo tradicional seguido por outras equipes. Por se tratar apenas de um jogador a cobrança e o foco são mais intensos. Diferente de outras modalidades que são formadas por mais de um player, onde cada um pode auxiliar o parceiro de time, em Street Fighter não existe uma rotina especifica em relação ao treino, a maioria dos jogadores tem emprego de meio período, e ainda tem a faculdade, a vida comum e a carreira de jogador de fighting games caminham ao mesmo tempo. Obstáculo que muitas vezes limita a vida do cyber-atleta.

“O pessoal acaba jogando só no tempo livre, não é uma atividade primária e o nível de dedicação acaba sendo bastante extremo. Se for parar para pensar, na minha rotina de treino, eu atualmente sou um jogador profissional, então eu tenho a minha rotina de treino e mesmo assim eu sei respeitar quando ela não rende, é como ser um freelancer, então uma das habilidade que o jogador precisa ter, é entender quando o rendimento dele não está sendo bom e identificar a causa disso. Algumas vezes pode ser simplesmente estresse, pode ser questão do jogador está jogando tempo demais ou em uma sessão muito longa. Por exemplo, eu já cheguei a jogar uma sessão de 14 horas, e isso não foi muito bom, mas existem situações das quais isso pode ser importante como memorização, criar costume de executar uma estratégia em particular, e esse é um dos momentos que o treinamento intensivo acaba ajudando”.

Na teoria os jogadores teriam que treinar apenas oito horas por dia, mas com a dificuldade do jogador conciliar emprego, estudo, e carreira, definir a extensão do treino é muito importante, porém é o jogador que deve ter consciência que as vezes ultrapassar o limite nem sempre pode ser produtivo.

“Mas, quando se trata de nível alto de competição envolve muito a mentalidade dos jogadores, do jogo, estudar a estratégia, parar para pensar no que tá acontecendo, é muito difícil conseguir se manter 100% focado usando 100% da concentração por mais de algumas horas, então acaba sendo um pouco mais curto e limitado, por isso é sempre bom respeitar o limite do corpo e ver até onde a gente pode chegar, mantendo 100% do foco”.

O desejo e convite para treinar fora do país  

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Dias antes do Red Bull Kumite, sediado na Salle Wagram, em Paris, Keoma Pacheco recebeu um convite para treinar fora do Brasil. De acordo com o jogador, o convite surgiu através de um conhecido da Coréia do Sul. Como ainda é algo indefinido, ele preferiu não dizer a origem da proposta. 
No entanto, ele não descarta a possibilidade de treinos mais intensos com outras nacionalidades. A intenção é que isso aconteça na temporada de 2017, principalmente pelo desejo de jogar todos os eventos do circuito latino americano, além de fortalecer seu jogo e chegar ao nível de competição mundial.

“Eu pretendo sim, pelo menos um período de treinos no exterior, seria extremamente importante pelo que vi nas minhas experiências internacionais este ano, que foram o Red Bull Kumite e a EVO 2016, neles eu tive a oportunidade de jogar com gente do mais alto nível, enfrentei o Daigo, treinei com jogadores como Hajime “Tokido” Taniguchi, e tive a chance de jogar com o top três do mundial da Evo “Yukadon”.

“Temos jogadores de altíssimo nível vindos de todas as parte do mundo, no caso da Red bull e EVO foi um período de dois há três dias, e treinar com eles acabou me dando um salto muito grande em termos de habilidade e perspectiva de jogo. A gente sabe que o japão é a maior potência do Street Fighter mundial, e isso acaba me dando a oportunidade de ver qual é o mais alto nível, eles com certeza têm a habilidade de enxergar quais são as brechas em um jogo, e isso vai me forçar a pensar em treinar lá fora e estudar mais”.

Seu próximo desafio será Street Grand Battle (SGB) em Lyon, na França, que acontece em fevereiro.

“É um torneio que eu tenho bastante prestigio por ele, eu gostaria de participar, e gostaria de estar muito mais forte, então não acho que eu vou ter muito tempo para descansar se eu tivesse um período para treinar pré-temporada, eu acho que seria daqui até a SGB”, concluiu.

Curiosidades (O dia do Akuma) 

(Liberado Gameplay de Akuma, novo personagem de Street Fighter V)

O estudo de Street Fighter é algo interessante, pois requer dedicação para aprender e entender as várias camadas que envolve o game, algo que começa a partir da memorização dos comandos e ataques dos personagens. Cada lutador tem propriedades únicas dentro do jogo, botões básicos, ataques de comando, ataques no ar, além dos ataques especiais, algo que muda muito de personagem para personagem. Por isso, toda vez que é lançado um novo lutador, os jogadores de Street Fighter criam o dia do personagem, param tudo para se dedicar inteiramente as descobertas do possível “adversário”. Foi assim que aconteceu com o “Alex” e certamente será assim com Akuma, o mais novo lutador de Street Fighter V.

“Quando aparece um personagem, nós paramos tudo o que estamos fazendo para estudar, é literalmente assim, uma técnica comum, um método comum do jogador. O Alex, por exemplo, paramos tudo que estávamos fazendo e falamos, vamos ver o que o Alex pode fazer, tiramos o dia do Alex”.

Ao surgir um novo personagem, também surgem os questionamentos. “O que ele pode fazer, o que ele tem, qual o potencial dele, o que o jogador de Alex tá procurando? Por que não só isso determina a perspectiva do jogador de Alex, mas ajuda a encontrar em que momento, em que ponto o Alex é fraco ou onde dá para explorar uma abertura”, explicou.

Antes do torneio Street Grand Battle em Lyon, na França, ainda este ano, Keoma irá participar da Expo Fantastic, que acontece de 16 a 18 de novembro no Centro Cultural Estação Mapocho, em Santiago de Chile, no Chile. O jogador Thomas “Brolynho” Proença também foi convidado. Vale lembrar que o brasileiro foi o único classificado para representar o país na Capcom Cup 2016, em Anaheim, nos Estados Unidos.

*Durante o período que Keoma esteve em São Paulo, pude acompanhar um pouco de sua rotina, e apesar de transparecer ser uma pessoa séria, ele é engraçado e 100% centrado em seus objetivos. Nas horas vagas gosta de jogar Overwatch, Pump it Up e StepMania e Final Fantasy XV, que atualmente é seu jogo favorito. Outra característica marcante do jogador que poucos devem saber, ele é autodidata. Além do inglês fluente, ele também aprendeu um pouco de japonês, ainda não fala fluentemente, mas entende com facilidade. A organização Innova, o define como um atleta completo, focado, habilidoso e profissional, que deve ser referência para todos que sonham em ser pro-player.

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Sobre Verônica Magalhães

Verônica Magalhães
Jornalista formada na UMESP- Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou durante quatro anos com Rádio Jornalismo. Apaixonada e amante da comunicação contribuiu na produção de notícias para o portal do time Santos Dexterity.

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